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Danilo Ucha

Danilo Ucha

Editor, redator e proprietário do Jornal da Noite, onde publicava diariamente a Coluna do Ucha, que aborda um elenco de assuntos, desde Artes Plásticas à Economia. Era também responsável pela coluna Painel Econômico, do Jornal do Comércio.

(10 de junho de 1944, Santana do Livramento (RS)  20 de julho de 2016, Porto Alegre/RS)
 
Danilo da Silva Ucha nasceu em Santana do Livramento (RS), na fronteira com o Uruguai, em 10 de junho de 1944. Foi para Porto Alegre (RS) fazer a faculdade de Arquitetura. Não gostou do ambiente do curso e na hora da inscrição para o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), optou pelo Jornalismo.
 
Antes de se formar, começou no Jornalismo ali mesmo em Santana do Livramento, no jornal A Platéia (RS), em 1962. Em Porto Alegre, já em 1965, os primeiros empregos foram na rádio Farroupilha (RS) e no Diário de Notícias (RS). Permaneceu nos veículos por cerca de dois anos e, então, foi para a Folha da Tarde (RS). Paralelamente, atuou também na rádio Guaíba (RS), que também pertencia à Empresa Jornalística Caldas Júnior. Trabalhava à tarde no diário e à noite na rádio, fazendo o fechamento. Ainda nessa época, atuou como correspondente do Correio da Manhã (RJ).
 
Recordava que, no período entre 1966 e 1969, considerado os Anos de Chumbo da ditadura militar, cobria muitas passeatas, até ser decretado o Ato Institucional nº 5 (AI-5). “Nas redações imperava a autocensura. Os editores acomodavam o texto ao conteúdo que os jornais ‘podiam dar’”, explicava. No período, escreveu também para as revistas Realidade (SP) e Veja (SP), da Editora Abril.
 
Saiu da Caldas Júnior em 1970 e foi passar um período na Europa, um autoexílio, que ele definia como “uma questão de cautela”. Morou por um ano em Portugal – que também vivia uma forte ditadura –, onde trabalhou em jornais e revistas locais. De volta a Porto Alegre, foi direto para a editoria do jornal Zero Hora (RS). Atuou em duas editorias, Variedades e Polícia. Ficou lá por quatro anos.
 
Em 1974 surgiu o convite para trabalhar na sucursal gaúcha de O Estado de S.Paulo (SP), cobrindo toda a América do Sul. Ficou como correspondente durante cinco anos. Foi demitido na Greve Geral dos Jornalistas, junto com toda a redação do Estadão. Retornou à ZH, onde ficou até 1992. Entre idas e vindas, trabalhou no veículo por 18 anos.
 
No Zero Hora, deu continuidade ao trabalho que exercia no Estadão, como correspondente internacional. Cobriu quase todos os golpes de Estado na Argentina e no Uruguai e acompanhou de perto a derrubada dos ditadores, inclusive a de Augusto Pinochet (1915-2006), no Chile. A cobertura internacional que considera mais importante e perigosa foi a da Guerra das Malvinas, em 1982. Permaneceu por 80 dias em Buenos Aires, na Argentina, outro país que sofria por causa da violência da ditadura militar.
 
Entre os períodos de correspondente, fazia a página 3 de ZH, que na época abria grandes furos em pequenas notícias. Deixou o jornal com mais 300 jornalistas por ocasião da mudança editorial e do quadro de pessoal do veículo. Participou como diretor-técnico de uma empresa estatal ligada à Secretaria de Indústria e Comércio durante o governo de Alceu Collares.
 
No mesmo período, coordenava um programa de debates na TVE (RS), função que manteve por mais quatro anos. Só deixou a emissora quando foi convidado para ser diretor da Gazeta Mercantil na sucursal de Porto Alegre. A experiência na Gazeta não durou muito tempo: dois anos. O jornal entrou em crise e cortou todas as sucursais. Em 2002 foi para o Jornal do Comércio (RS), onde foi responsável pela coluna Painel Econômico.
 
Foi também editor da Coluna do Ucha, publicada diariamente pelo seu próprio jornal mensal, o Jornal da Noite (RS). Nela abordava um elenco de assuntos, de Artes Plásticas a Economia, passando por Agenda Cultural, Política e Negócios. Acumulava a função de editor geral da publicação. Em 2015, foi agraciado como Jornalista do Ano pelo Prêmio Press, promovido pela revista Press (RS), da Athos Editora.
 
Além do empreendimento pessoal, manteve outro, coletivo, que fez história: o Coojornal, publicado pela Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre, que circulou de 1974 (como boletim) a 1980. No livro Coojornal – Um Jornal de Jornalistas sob o Regime Militar (Libretos, 2011, organizado por Rafael Guimaraens, Ayrton Centeno e Elmar Bones), escreveu que é sonho de todo jornalista ter o seu próprio jornal, e que o fato de o projeto do Coojornal ter se enquadrado no período de censura ajudou no fortalecimento da publicação e, ao mesmo tempo, também na sua queda. Descreveu o empreendimento como válido, possibilitando uma grande experiência para o grupo de jornalistas de Porto Alegre que dele participou.
 
Era um apaixonado por carne de cordeiro. Escreveu três livros sobre o assunto: Cordeiro na Mesa (Palomas, 1998), Confraria do Cordeiro (Palomas, 2003) e As Melhores Receitas da Confraria do Cordeiro (Palomas, 2008). Sobre o tema, mantinha o blog Cordeiro & Vinho, alocado no portal Blogger desde agosto de 2007.
 
Publicou, também, os livros O Lobby nos Estados Unidos e no Brasil (ACPA, 1977); Diretas Lá: A grande reportagem das eleições no Uruguai (Tchê!, 1984), O Poder da Imprensa Alternativa Pós-64: Histórico e Desdobramentos (RioArte, 1985), Jessé Silva: Época de Ouro (Palomas, 1988) e Krieger de Mello: A Saga de Lutadores (Palomas, 2000).
 
Faleceu na madrugada de 20 julho de 2016, aos 73 anos, em Porto Alegre. Com sua morte, o Jornal da Noite encerrou as suas atividades em outubro do mesmo ano. Na última edição, totalmente dedicada a ele, escreveu Fernando Albrecht: “O Danilo Ucha repórter, o Ucha escritor, o Ucha enólogo, o Ucha sério e mais compenetrado que sentinela de quartel, nunca excluíam o Ucha definitivo, o gordinho bem-humorado e com agudo sense of humor... O meu querido amigo que nos deixou e foi para os Eternos Parreirais, embalados pelo vento minuano e pelo balido dos cordeiros que povoavam as dezenas de receitas que compartilhava com uma multidão de amigos e seguidores, este amigo nunca refugava uma boa gargalhada, às vezes abafada por um sorriso que falava mais alto”.
 
 
Atualizado em outubro de 2016
 
Fontes:
Livro Jornalistas Brasileiros – Quem é Quem no Jornalismo de Economia (Mega Brasil/Call Comunicações, 2005)

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