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Ignácio de Loyola Brandão

Ignácio de Loyola Brandão

Um dos maiores escritores brasileiros vivos, destaca-se também no Cinema, no Teatro e no Jornalismo. É colunista de O Estado de S.Paulo e conselheiro da Carta Editorial

Ignácio de Loyola Brandão nasceu em Araraquara (SP), em 31 de julho de 1936. Seu pai, Antônio Maria Brandão, contador da Estrada de Ferro Araraquarense, chegou a escrever para jornais da cidade e possuia uma biblioteca com mais de 800 livros.
 
Em agosto de 1952, publicou no jornal Folha Ferroviária (SP), em Araraquara, uma crítica ao filme Valentino (Columbia, 1951), dirigido por Lewis Allen e com Anthony Dexter e Eleanor Parker nos papéis principais. Dias depois, o mesmo texto saiu no Correio Popular (SP), também da cidade. O sucesso o motivou a passar a escrever reportagens, críticas de Cinema e entrevistas em O Imparcial (SP), outra publicação araraquarense, sem ganhar salário.
 
A paixão pelo Cinema era tamanha que participou como roteirista e assistente das filmagens de Aurora de Uma Cidade, semidocumentário dirigido por Wallace Leal (1924-1988), em 1953, e ajudou a fundar o Clube de Cinema de Araraquara, em 1954. Em 1955, publicou em O Imparcial a primeira coluna social da cidade.
 
Depois que terminou os estudos do ensino médio, decidiu tentar a sorte em São Paulo (SP) em 1957. Na fila para fazer um teste de emprego na redação do jornal Última Hora, ouviu alguém perguntar por quem falasse inglês. Embora não dominasse a língua fluentemente, ofereceu-se para ajudar e, assim, conquistou o emprego de repórter. Ficou até 1966 na publicação, onde atuou também como correspondente, colunista e editor de Variedades.
 
Continuava amando o Cinema. Em 1961, atuou como figurante em O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, filme vencedor no Festival de Cannes (França), em 1962. Em 1963, partiu para a Itália, pensando em lá fazer carreira como roteirista. Cobriu a morte do papa João 23 (1881-1963) para a UH e para a TV Excelsior (SP). Voltou ao Brasil na florescência de outra grande paixão, talvez a maior de sua vida: a Literatura. Lançou o livro Depois do Sol (Brasiliense, 1965), o primeiro de uma produtiva e muito bem-sucedida carreira.
 
Em 1966, entrou para a Editora Abril, indo trabalhar como redator de Claudia. Tornou-se redator-chefe da revista em 1968, mesmo ano em que lançou o livro Bebel Que a Cidade Comeu (Brasiliense, 1968) e viu chegar às telas os filmes Bebel, Garota Propaganda, dirigido por Maurice Capovilla, e  Anuska, Manequim e Mulher, dirigido por Francisco Ramalho Júnior, ambos baseados nos livros que publicara e contando com a sua colaboração nos roteiros.
 
Ainda na Abril, trabalhou como repórter e redator nas revistas Realidade e Setenta, que ele definiu como "a primeira tentativa de se fazer um Vogue brasileiro". Em 1972, foi contratado pela Editora Três, onde ficou até 1979. Na nova casa, atuou como editor da revista Planeta até 1977 e, depois, nas redações de Lui e Ciência e Vida, além de organizar coleções de livros como Clássicos da Literatura Brasileira e Biblioteca Planeta e escrever livros sobre personagens históricos: Fleming, Descobridor da Penicilina (Três, 1973), Edison, o Inventor da Lâmpada (Três, 1973) e Ignácio de Loyola, Fundador da Companhia de Jesus (Três, 1974).
 
Paralelamente, no auge da repressão promovida pela ditadura militar, viu seu livro Zero (Brasília/Rio, 1975) — que havia sido recusado por quatro editoras nacionais pelo seu conteúdo contestador, apesar de já lançado em italiano, no ano anterior, pela editora Feltrinelli —, ser censurado e proibido pelo Ministério da Justiça e ter a sua venda proibida em todo o território nacional, expondo o autor.
 
Ao desligar-se da Editora Três, decidiu largar a carreira jornalística e dedicar-se à literária, já bem sustentada após a edição de Dentes ao Sol (Brasília/Rio, 1976), Cadeiras Proibidas (Símbolo, 1976), Pega Ele, Silêncio (Símbolo, 1976) e Cães Danados (Comunicações, 1976), além do lançamento do livro-reportagem Cuba de Fidel: Viagem à Ilha Proibida (Cultura, 1978). Zero já tivera, então, edições também em espanhol e em alemão, tornando-o conhecido internacionalmente.
 
A convite da Fundação Fullbright, fez conferências pelas cidades americanas de Nova York, Flórida, Georgetown, Albuquerque, Tucson e San Diego em 1980. Em março de 1982, partiu para Berlim, na então Alemanha Ocidental, onde ficou por 16 meses a convite da Fundação Alemã de Intercâmbio Cultural. Já em 1986, participou como figurante em No País dos Tenentes, filme de João Batista de Andrade.
 
Enquanto isso, ia publicando novos títulos: Não Verás País Nenhum (Codecri, 1981); É Gol: Torcida Amiga, Boa Tarde (Palavra e Imagem, 1982), com ilustrações de Vallandro Keating; Oh-ja-ja-ja (LCB, 1982) — edição alemã de livro inédito no Brasil; Cabeças de Segunda-Feira (Codecri, 1983), com ilustrações de Lamy; O Verde Violentou o Muro (Global, 1984); O Beijo Não Vem da Boca (Global, 1985); Manifesto Verde (Círculo do Livro, 1985); O Ganhador (Global, 1987) — relançado depois como Noite Inclinada; O Homem do Furo na Mão (Ática, 1987); A Rua de Nomes no Ar (Círculo do Livro, 1988), e O Homem que Espalhou o Deserto (Ground, 1989). No período, seu livro Não Verás País Nenhum foi lançado em italiano, inglês e alemão, Zero teve edição em inglês e Cadeiras Proibidas, em italiano.
 
Voltou a trabalhar como jornalista em 1990, quando assumiu a direção de Redação da revista Vogue, cargo que ocupou até 2004, quando passou a ser membro do Conselho da Carta Editorial. Paralelamente, passou a atuar como colunista na Folha da Tarde, migrando, em 1993, para o jornal O Estado de S.Paulo, onde publicou seus textos primeiramente no caderno Cidades e, depois, no caderno 2.
 
Desde 1992, atua também na área de livros institucionais, o que ajudou a aumentar ainda mais a sua bibliografia. Publicou: Polo Brasil (Markmidia, 1992); Tio e Sobrinho (Atual, 1993); Os Melhores Contos de Ignácio de Loyola Brandão (Global, 1993), organizados por Deonísio da Silva; Strip-Tease de Gilda (Memorial da América Latina, 1995); O Anjo do Adeus — Sacanas Honestos Jogam Limpo Jogos Sujos (Global, 1995); Itaú, 50 Anos (DBA, 1995); Santa Marina, Um Futuro Transparente, 100 Anos (DBA, 1996), com fotos de Rômulo Fialdini; São Paulo Futebol Clube: A Saga de um Campeão (DBA, 1996); Oficina de Sonhos (DBA, 1996); Veia Bailarina (Global, 1997); Sonhando Com o Demônio (Mercado Aberto, 1998); Gás em Evolução: Congás — A Companhia de Gás de São Paulo (DBA, 1998); O Homem que Odiava Segunda-Feira (Global, 1999); Campos do Jordão (DBA, 1999); Visões de Berlim (Global, 2000); Dutra 50 Anos, Quatro Séculos em Cinco Horas (DBA, 2001); O Anônimo Célebre (Global, 2002); O Beijo Não Vem da Boca (Global, 2002); Pinheiro Neto Advogados 60 Anos (Dezembro, 2002), com fotos de Valentino Fialdini; A Embaixada do Brasil em Lisboa (Dezembro, 2002), também com fotos de Valentino Fialdini; Calcinhas Secretas (Ática, 2003); A Conferência (EdUSC, 2003); Pensando nos Pensamentos (eraOdito, 2003); Não Verás País Nenhum (Global, 2003); A última viagem de Borges - Uma Evocação (Global, 2005); O Segredo da Nuvem (Global, 2004), com ilustrações de Marcelo Cipis; Cartas/Contos (Iluminuras, 2004), com desenhos de Alfredo Aquino; Melhores Crônicas de Ignácio de Loyola Brandão (Global, 2004); Romi-Isetta, o Pequeno Pioneiro (DBA, 2004); A Voz das Estrelas: A História dos Primeiros 30 Anos do Clube de Criação de São Paulo (Matrix, 2005); A Altura e a Largura do Nada (Jaboticaba, 2006); Leite de Rosas, Uma História (DBA, 2006), com fotos de Rômulo Fialdini; FAAP, História de Uma Instituição (DBA, 2006); Desvirando a Página - A Vida de Olavo Setúbal (Global, 2008); O Voo da Líder (Metalivros, 2008); Copag: 100 Anos no Brasil, Sempre Dando as Cartas (DBA, 2008); O Menino que Vendia Palavras (Objetiva, 2007); Os Escorpiões Contra o Círculo de Fogo (Global, 2009), com ilustrações de Dave Santana; Ruth Cardoso - Fragmentos de uma Vida (Globo, 2010); O Menino que Perguntava (Objetiva, 2011); A Altura e a Largura do Nada (Jaboticaba, 2006); Viena - Comida de Casa Fora de Casa (Viena, 2006), com fotos de Rômulo Fialdini; Você é Jovem, Velho ou Dinossauro? (Global, 2009); Acordei em Woodstock (Global, 2011); O Primeiro Emprego (Global, 2011),  A Morena da Estação (Moderna, 2011) e Solidão no Fundo da Agulha (LivrosParaTodos, 2013), com fotos de Paulo Melo Júnior e um CD com músicas interpretadas pela cantora Rita Gulo, filha do escritor.
 
No período, Zero saiu em húngaro e coreano, Dentes ao Sol, O Anjo do Adeus e Anônimos Célebres tiveram edições em inglês e O Homem Que Espalhou o Deserto foi vertido para o espanhol.
 
Como coautor, publicou Teatro Municipal de São Paulo: Grandes Momentos (DBA, 1993), com Alexandre Dorea Ribeiro e fotos de Cristiano Mascaro e Rômulo Fialdini, Addio Bel Campanile (Global, 1998), com Rodolpho Telarolli, e Alma Feminina (Abooks, 2002), com José Miguel Wisnik e fotos de Claudio Edinger e Bob Wolfenson, e O Rosto e o Resto (Abooks, 2005), com Augusto de Campos e fotos de Alberto de C. Alves e Bruno Alves. Alem disso, participou de Os 18 Melhores Contos do Brasil (Bloch, 1968), Contos Pirandelianos: Sete Autores à Procura de Um Bar (Brasiliense, 1985) — com o conto As Pirações do Pirandello —, Linha Reta e Linha Curva: Variações em Torno de Machado de Assis (Atual, 1993) — com o  conto A Decisão do Macaco —, Não Olhe nos Olhos do Inimigo (Paz e Terra, 1995), Grandes Amigos Pais e Filhos (Panda Books, 2004) — organizado por Carmen Lucia Campos e Nilson Joaquim da Silva —, Imaginação (Talento, 2005), Inesquecível: Histórias de Viagem Contadas Por Quem Sabe (Ediouro, 2006), A Prosa no Mundo (Global, 2009). Como organizador, participou da publicação de São Paulo Capital (IMS, 1998), de Juca Martins, e, como tradutor, de Cozinha Tropical Cearense (A&A, 2009), de Bernard Twardy. Para Teatro, escreveu a peça A Última Viagem de Borges, encenada em 2005 com direção de Sérgio Ferrara e cenografia e figurino de Maria Bonomi.
 
Entre as premiações com que foi distinguido, recebeu o Prêmio Especial do Concurso Nacional de Contos do Paraná 1968 por Pega Ele, Silêncio;  o Prêmio Governador do Estado de São Paulo 1968, na categoria Melhor Roteiro Cinematográfico, com Maurice Capovilla e Mário Chamie (1933-2011), pelo filme Bebel, Garota Propaganda; o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal 1976 de Melhor Ficção por Zero; o Prêmio IILA 1984, do Instituto Ítalo-Latino-Americano, por Não Verás País Nenhum; o Prêmio Pedro Nava 1988, da Academia Brasileira de Letras (ABL), e o Prêmio APCA 1988, da Associação Paulista de Críticos de Arte, ambos na categoria Melhor Romance, por O Ganhador; o Jabuti 2000 de Melhor Livro de Contos por O Homem Que Odiava a Segunda-Feira, e o Prêmio Fundação Biblioteca Nacional 2007 de Melhor Livro Infantil e o Jabuti 2008 de Melhor Ficção  pelo livro O Menino que Vendia Palavras.
 
Em 1997, sua carreira foi enfocada na série Cadernos de Literatura Brasileira, publicada pelo Instituto Moreira Salles de São Paulo. Foi vice-presidente da União Brasileira de Escritores, no biênio 1984/86. É, desde 2007, membro da Academia Paulista de Letras.
 
 
Atualizado em março/2013 - Portal dos Jornalistas
Fontes:
 

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