Luiz Carlos Azenha

    Filho de um comerciante interiorano, Luiz Carlos Azenha nasceu em Bauru (SP) em 1958. É formado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Trabalhou no Jornal da Cidade, de Bauru, depois de ter sido responsável pelo jornal Abelhinha, editado para circulação entre alunos do Instituto de Educação Ernesto Monte, na cidade natal. Em 1980, transferiu-se para a TV Bauru, então afiliada da Rede Globo.
     
    Em 1985, morando em Nova York, tornou-se correspondente internacional da Rede Manchete (RJ) nos Estados Unidos e colaborador da Folha de S.Paulo (SP) e das redes CNN (EUA) e CBC (Canadá). Neste período, foi ainda correspondente da rádio Jovem Pan (SP). Destacou-se, na época, pelas coberturas da negociação da dívida externa brasileira em Nova York e nas sedes do FMI, do Banco Mundial e do Tesouro americano, em Washington.
     
    Foi o primeiro repórter estrangeiro a fazer uma entrevista com o líder soviético Mikhail Gorbatchev, no Kremlin (Rússia), em 1988. A matéria, exclusiva, foi feita para a Rede Manchete e deu-se graças a uma coincidência. Azenha cobria uma cúpula entre Gorbachev e o presidente americano Ronald Reagan (1911-2004) e já havia conseguido resposta a duas perguntas feitas à primeira-dama soviética, Raísa. Fazendo uma gravação na Praça Vermelha, Azenha avistou uma comitiva em que ia o próprio líder socialista. Aproximou-se, se identificou como brasileiro e soltou duas perguntas, uma delas se o líder viria ou não ao Brasil. A matéria foi exibida em jornais dos Estados Unidos e da própria União Soviética, no programa Vremya [Tempo]. Azenha era um dos 5.365 jornalistas de 63 países que cobriam o encontro e foi o único a ter respostas exclusivas do premiê, além de Dan Rather, correspondente da CBS (EUA).
     
    Depois disso, cobriu os encontros entre Ronald Reagan e Gorbatchev que precederam o fim da Guerra Fria, na Islândia, na então União Soviética e nos Estados Unidos. Cobriu, ainda, para a Manchete, a queda do muro de Berlim, em 1989.
     
    Continuou destacando-se em outros trabalhos no exterior: cobriu a crise que levou à invasão do Panamá por tropas americanas, fez uma série especial sobre o Iraque à espera da guerra e outra sobre a paixão pelo futebol em Serra Leoa, na Índia, em Honduras e em El Salvador.
     
    Acompanhou viagens do presidente José Sarney à França, China, União Soviética e ao enterro do imperador Hirohito (1901-1989), no Japão; do presidente eleito Fernando Collor à então Tchecoslováquia e ao Japão; do presidente Fernando Henrique Cardoso aos Estados Unidos, e do presidente Luís Ignácio Lula da Silva ao México, à Colômbia, à República Dominicana e ao Haiti.
     
    O esporte também marcou a carreira de Azenha. Trabalhou na Sports World Communications, do piloto Émerson Fittipaldi e do empresário Ricardo Scalamandré, participando das transmissões da Fórmula Indy. Participou de cerca de 100 delas, em autódromos e circuitos dos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Austrália e Japão. Quando os direitos de transmissão foram comprados pelo SBT (SP), passou a ser correspondente da emissora em Nova York. Além da cobertura do automobilismo, fazia reportagens para o TJ Brasil, de Bóris Casoy, e o SBT Repórter. Foi correspondente da Rede Globo (RJ) em Nova York, entre 2001 e 2004, tornando-se depois repórter especial da emissora.
     
    Fez programas especiais e reportagens investigativas para os programas Manchete Urgente, SBT Repórter e Globo Repórter. Entre os diversos temas, destacam-se o que mostrou um dia na vida do tenor Luciano Pavarotti (1935-2007) em Nova York, e o de uma expedição em busca de plantas medicinais na Amazônia. Acompanhou, em maio de 2001, a prisão do traficante Fernandinho Beira-Mar na Colômbia e, com o produtor Eduardo Faustini, produziu reportagens que denunciaram a violência no Acre.
     
    Em 2006, com a matéria sobre a investigação de um grupo de médicos que oferecia um falso tratamento com células-tronco, feita em parceria com Maria Cândida, para o Jornal Nacional, ganhou o Prêmio Imprensa Embratel, na categoria de Jornalismo Investigativo. Em abril de 2007, rescindiu seu contrato com a Globo e optou a se dedicar à internet.
     
    O blog Vi o Mundo – O Que Você Não Vê na Mídia nasceu em 2003, como um espaço de contraponto à mídia tradicional. Ganhou dimensão, passando a carregar uma tevê e uma rádio com o mesmo nome. Na manutenção e atualização das notícias, Azenha conta com a ajuda de Conceição Lemes, que chama de “minha colega infatigável e a repórter mais premiada no Brasil na área de Saúde”.
     
    Coautor do Livro das Grandes Reportagens (Editora Globo, 2006) – que traz ainda textos de William Waack, José Hamilton Ribeiro, Joel Silveira, Edney Silvestre, Fernando Molica, André Luiz Azevedo e Geneton Moraes Neto –, nele narra os bastidores da entrevista com o astronauta americano Buzz Aldrin, o segundo a desembarcar na Lua. Escreveu, também, o livro Vi o Mundo – O que você nunca pode ver na TV (Blogbooks, 2009), que traz os principais posts publicados no blog até então.
     
    Desde 2010, Luiz Carlos Azenha é diretor geral e conduz o projeto editorial do programa Nova África na TV Brasil (RJ), rede de televisão que faz parte da estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), criada em 2007 pelo governo federal. Divide o trabalho de direção com Henry Daniel Ajl e o projeto com Conceição Oliveira. Faz, também, séries de reportagens especiais para os programas Jornal da Record e Record News. Participa ainda do portal Notícias.r7, alimentado pelos repórteres da Rede Record (SP).
     
    Possui dois prêmios Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O primeiro, de 1982, em conjunto com Adauto Nascimento, pela matéria Menor Bóia-Fria, veiculada pela TV Bauru, e o outro, de 2008, com Aldo Quiroga, uma menção honrosa pela reportagem Lula na Terra de Makunaíma, exibida pela TV Cultura (SP).
     
     
    Fontes:
    (8 de junho de 1988) Furo no Kremlin – repórter da Rede Manchete entrevista Go