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Luiz Cláudio Cunha

Luiz Cláudio Cunha

Com uma carreira marcada pela reportagem investigativa e pelo jornalismo político, venceu muitos prêmios, esteve presente em episódios marcantes da história recente do Brasil e escreveu sobre crimes contra os direitos humanos cometidos pelas ditaduras militares do Cone Sul.

Luiz Cláudio Fontoura da Cunha é gaúcho de Caxias do Sul. Nasceu em 15 de abril de 1951.
 
Começou a carreira em 1969, primeiro como locutor da rádio Londrina ZYD-4 (PR) e depois como redator da Folha de Londrina (PR). Um ano depois, em 1970, mudou-se para Porto Alegre (RS), para ingressar na Rede Brasil-Sul de Comunicação (RBS) como aprendiz de Cidades. Meses depois passou a repórter especial do jornal Zero Hora (RS), onde atuou entre 1970 e 1971.
 
Em 1971, foi convidado para trabalhar na revista Veja (SP), criada três anos antes. Na época, também trabalhou para outras revistas da Editora Abril, como a lendária Realidade (SP), onde escreveu um perfil do novo gaúcho, ilustrado com fotos de Leonid Streliaev. Em 1973 assumiu a chefia da sucursal da Editora Abril em Porto Alegre, permanecendo no cargo até 1979. Além de escrever para Veja, teve sob sua responsabilidade as revistas Quatro Rodas (SP), Exame (SP) e Placar (SP).
 
Cobriu acontecimentos marcantes como enviado especial ao Uruguai e à Argentina. Em 1974, fez a primeira entrevista com Leonel Brizola (1922–2004) no exílio. Na fazenda do ex-governador do Rio Grande do Sul, no interior do Uruguai, registrou a impactante declaração – “Fui derrotado militarmente. Politicamente, eleitoralmente, não” – que causou profunda irritação nos quartéis.
 
Ainda no Uruguai, cobriu também a crise político-militar que levou o país à ditadura, com reportagens sobre os bastidores do golpe de Estado em 1973. No ano seguinte, cobriu na Argentina o drama nacional e o enterro de Juan Domingo Perón (1985–1974), que foi matéria de capa da revista. Um ano antes da Copa do Mundo de Futebol da Argentina, em 1977, cobriu os preparativos da ditadura para reprimir a guerrilha naquele país. Integrou depois a equipe da revista na cobertura da competição esportiva, em 1978. Na ocasião, escreveu um artigo em coautoria com Carlos Maranhão que acabou também publicado na revista de Jornalismo Atlas World Press Review (EUA). Entrevistou, ainda, o líder da Frente Ampla, coligação de esquerda uruguaia, general Líber Seregni (1916–2004), e o escritor argentino Jorge Luís Borges (1899–1986).
 
Paralelamente, em 1974, foi fundador e vice-presidente da primeira cooperativa de jornalistas do Brasil, o CooJornal, um dos mais importantes veículos da imprensa alternativa de resistência à ditadura militar. Assinava a coluna Perdão, Leitores na publicação, que fazia a crítica da imprensa (media criticism) sob o regime autoritário. Em 1977 foi eleito para a Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors).
 
No ano seguinte, alertado por um telefonema anônimo, testemunhou com o fotógrafo João Batista Scalco,  em Porto Alegre, uma ação da Operação Condor, um amplo aparato de terrorismo de estado articulado entre diversos países do Cone Sul. Era o sequestro dos ativistas políticos uruguaios Universindo Díaz e Lilian Celiberti e seus dois filhos. A série de reportagens denunciando o sequestro rendeu-lhe diversas premiações: o Prêmio Principal do Esso de Jornalismo 1979, o Prêmio Nacional de Reportagem Telesp 1979, o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos 1979, na categoria Revista, e o Hors Concours do Prêmio Abril de Jornalismo 1979. Pouco depois seguiu para Brasília, para chefiar a sucursal de Veja. Conquistou o Prêmio Abril de Jornalismo 1980, na categoria Destaque em Economia, com a matéria Delfim entra em Campo. Por seu trabalho e sua postura em favor dos direitos humanos, recebeu um Voto de Louvor encaminhado pelo jurista Jean-Louis Weil em nome do Secretariat International des Juristes pour I’Amnistie en Uruguay (Sijau), durante o Colóquio sobre La Política de Institucionalizacion Del Estado de Exception y su rechazo por el Pueblo Uruguayo, realizado em Genebra (Suíça), em 1981. Conquistou mais um Prêmio Abril em 1982, na categoria Destaque em Política, com a matéria A bomba fere o DOI-CODI.
 
Em 1983, mudou para o Rio de Janeiro (RJ) para atuar como editor do Informe JB, do Jornal do Brasil (RJ), a mais importante coluna de política da época. De volta a Brasília – onde se radicou de vez –, chefiou a redação das revistas IstoÉ (SP), em 1984, e Afinal (SP), entre 1985 e 1986. Ganhou outro Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 1985, na categora Revista, pelo conjunto de matérias feitas em equipe sobre o arbítrio, mortes e desaparecimentos, publicadas na revista Afinal.
 
Foi repórter especial da Rede Globo entre 1986 e 1987, chefe de redação da sucursal do Jornal do Brasil de 1987 a 1988, diretor da sucursal de O Estado de S.Paulo de 1988 a 1990, editor-contribuinte da revista Playboy em 1991, repórter especial do Jornal do Brasil em 1992, diretor da sucursal do Diário do Comércio & Indústria de 1992 a 1993, editor-chefe da sucursal brasiliense de Zero Hora de 1993 a 1994), editor da Coluna do Boechat, em O Globo, de 1997 a 1998, e editor de Política na sucursal da revista IstoÉ de 2002 a 2006. Conquistou o Prêmio Esso de Informação Econômica 2004, junto com Weiller Diniz, Sônia Filgueiras e Celina Côrtes, pela série de reportagens Presidente e diretor do BC esconderam da Receita bens no Exterior.
 
Atuou como assessor político dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS), de 1998 a 2015, e Randolfe Rodrigues (PSOL, depois Rede Sustentabilidade/AP), de 2015 a 2016. No período, passou a escrever para o Observatório da Imprensa, e tornou-se colaborador regular dos blogs de Ricardo Setti, no portal Veja, Ricardo Noblat, no portal de O Globo, e do Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim.
 
Passou também a ser colunista do Sul21, site de notícias do sul do país, e da revista brasiliense MeiaUm, que assim o define no texto de apresentação dos colaboradores: "Jornalista, gaúcho e gremista. Trocou o sul pelo cerrado para se exilar, com prazer, no Lago Norte. Ali trabalha curtindo joias do jazz e da música clássica. É surdo para o resto. Detesta Twitter, Orkut e Facebook, 'baboseiras que encurtam o mundo e a inteligência'. Fã de Churchill, Darwin, Richard Dawkins e de todos que usam a luz da razão e da ciência contra a treva das religiões e dos fanatismos".
 
Em maio de 2011, recebeu o título de Notório Saber em Jornalismo, concedido pela Universidade de Brasília (UnB/DF), a primeira distinção da universidade para esta área de atuação. Em setembro de 2012, foi consultor do Grupo de Trabalho sobre a Operação Condor na Comissão Nacional da Verdade. Foi afastado em julho de 2013 por criticar a postura de alguns de seus integrantes e apontar a falta de empenho do ministro da Defesa e dos comandantes do Exército e da Marinha no esclarecimento de crimes da ditadura. Na edição 78 da revista Brasileiros, de janeiro de 2014, explica porque os generais brasileiros, ao contrário da Rede Globo, não fazem o mea culpa pela ditadura.
 
Aceitou convite da ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, e assumiu, em outubro de 2016, a Secretaria de Comunicação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que ela também preside. 
 
É autor dos livros Assim morreu Tancredo (L&PM, 1985), em que entrevista o jornalista Antônio Britto, porta-voz que acompanhou a agonia de Tancredo Neves (1910–1985), e Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios (L&PM, 2008), uma reportagem sobre os tempos da ditadura, lançada no aniversário de 30 anos da ação repressiva em Porto Alegre, que lhe valeu o Prêmio Jabuti 2009 e o Prêmio Casa de Las Américas do mesmo ano. É coautor do livro Dez Reportagens que Abalaram a Ditadura (Record, 2005), coletânea organizada por Fernando Molica, que inclui a série de Veja sobre o sequestro dos uruguaios.
 
Participou também das coletâneas: Coojornal: Um jornal de Jornalistas sob o Regime Militar (Libretos, 2011), organizada por Rafael Guimaraens, Ayrton Centeno e Elmar Bones; A ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): história e memória (Corag, 2009), organizada por Enrique Serra Padrós, Vânia Barbosa e Ananda Fernandes, e A Mídia e o Jornalismo Fiteiro (Biblioteca OI do Observatório da Imprensa, 2004), organizada por Luiz Egyto.
 
 
Atualizado em outubro de 2016
 
Fontes:

Fiat_Institucional
Arama
Curso para Jornalistas
Newswire
OPN Eventos
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