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Memórias da Redação

    04.11.13 - Memórias da Redação – Uma transada na cama do papa

    Luiz Roberto de Souza Queiroz, o Bebeto, ex-Estadão, que hoje atua como consultor de comunicação, novamente nos socorreu e é dele a história desta semana.

    Uma transada na cama do papa

                Na África, fazendo matérias para a Rádio Eldorado, como a de um bando de milionários bestas que compraram um rinoceronte para pôr no espeto, fomos parar no Quênia, para conhecer os Masai Mara, aqueles negrões compridos que têm uma dança de pulos altíssimos, nas Minas do rei Salomão, e que não bebem água, só sangue da jugular dos bois, misturado com leite. Na hora H nos avisaram que o hotel estava lotado, só podíamos ficar numa barraca de lona.

                Um argentino que estava conosco fez tanto escândalo, que o pessoal do hotel resolveu nos hospedar na “casa do papa”, o alojamento construído na savana para a visita de João Paulo II, dois anos antes.

                Feito o sorteio, coube a mim e a Táta o quarto do papa. E ‘perpretamos’ na cama dele – depois, é claro, de a Táta virar o quadro de João Paulo II para a parede.

                O papa, entretanto, se vingou. Como a casa fora construída na savana, limparam uma faixa de 2 km bem na frente para o Cessna dele pousar. E como havia uns postes de luz, impalas, waterbucks, javalis africanos e muitas zebras dormiam no nosso “jardim”, porque com a luz os leões não conseguiam chegar sem serem percebidos.

                Bem comido (em ambos sentidos), de manhã resolvi fazer meu cooper na "pista de pouso". Calcei os tênis e depois de correr uns 500 metros notei uma família de búfalos na cabeceira da pista. Dois machos me manjaram, avançaram para a frente das fêmeas e filhotes e começaram a escavar o solo, como em desenho animado.

                Eu sabia que, depois do hipopótamo, o búfalo é que mais mata gente na África. Eu estava de calção vermelho (cor de capa de toureiro), mas nem me lembrei que bovinos não enxergam em tecnicolor. Fui parando, parei e morrendo de medo comecei a recuar "de fasto", como diria Moacyr Castro, embora no fundo sabendo que os bichos não queriam atacar, só estavam avisando: "Não vem que não tem". Mas eram imensos, os chifres apavorantes e não havia uma arvorezinha sequer para subir, era só a savana lisa.

                Cheguei a salvo na casa do papa, longuíssimos dez minutos depois, ou não estaria escrevendo isso.

                Mas João Paulo se vingou mesmo: o medo foi tanto que por vários dias não tive “ânimo” para transar, fosse na cama do papa ou em qualquer outra.

    Por: Luiz Roberto de Souza Queiroz

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