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Memórias da Redação

    02.12.13 - Memórias da Redação – Lua de mel com dinheiro do cofre

    Memórias da Redação

    A história desta semana foi elaborada a quatro mãos: Guido Fidelis (comunicacao@sinicesp.org.br), estreante no espaço, contou, nosso assíduo colaborador Bebeto (lrobertoqueiroz@uol.com.br) escreveu, Guido copidescou e Bebeto enviou. Guido, profissional há mais de 50 anos, também escritor e poeta, atualmente assessora o Sinicesp – Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo.

    Lua de mel com dinheiro do cofre

    No começo de minha carreira como jornalista, na Última Hora, ganhava em torno de Cr$ 25 mil (cruzeiros velhos) – a média do mercado eram Cr$ 22 mil –, e de repente fui chamado para trabalhar na Nação, com mais do dobro do salário, Cr$ 60 mil, tanto dinheiro que achei que era hora de casar e informei a meu chefe, Jarbas Lacerda, um jornalista do velho estilo, durão e grande companheiro.

    A Nação surgiu como nova proposta de jornalismo, de propriedade do Simonsen [N. da R.: Mário Wallace], dono de Panair, TV Excelsior e Banco Noroeste. Ele pretendia juntar grandes nomes para produzir um jornal de grande circulação, com edições paulista e nacional. Lá estavam Nabor Caires de Brito, Fúlvio Abramo, Adonis de Oliveira, tantos e tantos nomes de expressão.

    Jarbas ficara famoso como chefe da editoria de Polícia da Folha de S.Paulo e frequentemente mantinha contato com delegados e investigadores. Inclusive para exigir que seu irmão jamais fosse preso, e explicava: o irmão costumava fazer pequenos furtos, principalmente em lojas, não porque precisasse, mas porque era cleptomaníaco. Jarbas avisou a todo mundo: “Meu irmão roubou? Me avisem que eu pago o prejuízo, mas não quero que o prendam”. E, é claro, os delegados levaram a sério o pedido e o irmão do jornalista afanava de quando em vez, com absoluta impunidade, o que prova que esta não foi inventada recentemente, ao contrário do que muita gente acredita.

    Voltando ao meu casamento, à véspera do enlace, programado para um domingo, o pagamento não tinha saído, pois cairia em minha conta apenas um dia depois, na 2ª.feira. Fiquei afobado porque combinara uma lua-de-mel no Rio de Janeiro e julgava que precisava levar importância maior. Naquela época, 1963, não existiam cartões de crédito e cheques não eram aceitos em outras praças. Sei lá como, Jarbas Lacerda ficou sabendo, me chamou à parte, levou-me ao seu escritório de advocacia – ele também era advogado criminalista –, abriu o cofre e retirou Cr$ 50 mil e me entregou.

    Tergiversei, disse que não precisava, mas Jarbas insistiu: “Quando você voltar, paga, mas paga se quiser. E vai logo, pega a grana de que precisa”.

    A insistência foi tanta que eu fiz a lua-de-mel, visitei tudo o que tinha direito, inclusive a Mangueira e a Vila Isabel. O Rio era uma cidade calma e os sambistas muito acolhedores. Comprei roupas, perambulei por toda a cidade e ainda sobrou dinheiro.

    Devolver foi dureza. Jarbas não queria, dizia para eu pagar mais adiante. Mas deixei as notas envelopadas em sua mesa.

    Grande chefe, o Jarbas. Exigente, gritava, ameaçava enfiar goela adentro textos mais fracos. Silvio Sanvito sofreu em suas mãos, mas aprendeu e foi para o Estadão.

    Saudades do companheiro Jarbas. Tenho a certeza de que ele dirige algum jornal no reino de Deus.

    Por: Guido Fidelis e Bebeto

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