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Memórias da Redação

    30.07.12 - Memórias da Redação – A bela caminhada de Audálio Dantas

    A história desta semana é de Antonio Contente, profissional desde 1960, com passagens por Shopping News, Última Hora, O Globo, O Cruzeiro, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Folha da Tarde, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Hoje escreve crônicas para o Correio Popular, de Campinas, de onde extraímos esta que ele publicou no último dia 16/7 em homenagem aos 80 anos de Audálio Dantas. É autor dos livros Um doido no quarteirão e O vampiro cantador, ambos pela Soma, e Antes da estação das chuvas (Abril). Divide seu tempo entre Campinas e uma ilha na foz do Amazonas, a cinco horas de barco de Belém, onde fica mais tempo do que na cidade. Vive sem energia elétrica.

    Como, na crônica, ele faz referência a “amanhã” como sendo o dia do aniversário, vale a explicação da esposa de Audálio, Vanira Kunc: “Com esse negócio de lançar o livro no dia 17 [N. da R.: Tempo de reportagem], muita gente acha que é exatamente o dia do aniversário do Audálio. Mas acho mesmo que ele fará 80 até o final do ano (rsrsrs). Ou, quem sabe, com tantas manifestações de carinho, ele não resolva fazer 80 também no ano que vem”.

    E renovamos o convite aos amigos para que enviem novas histórias, pois o estoque continua baixo. 

    A bela caminhada de Audálio Dantas

    Segundo as previsões mais pessimistas, o jornalista e escritor Audálio Dantas viverá 160 anos. E caminha com passos firmes em tal rumo, pois exatamente amanhã estará completando a metade do tempo a ele reservado neste nem sempre sensato mundo. Dedicando-se de forma absolutamente integral a torná-lo melhor através do seu trabalho em nossa profissão. Com brilho que, como diziam os antigos, solta incontáveis cintilações de luz. Através de belíssimas reportagens que enriqueceram as trajetórias não só do profissional, como de duas das mais importantes revistas que este país já teve: O Cruzeiro e Realidade.

             O aniversariante, por largos anos, dirigiu a sucursal da revista dos Diários Associados em São Paulo. Onde, além de aprimorar o próprio talento, também cuidou de adubar muitos outros. José Maria do Prado e Hamilton Almeida Filho foram dois deles.

    Neste registro não vou biografar Audálio Dantas, autor de dez livros, líder sindical da nossa categoria, repórter impecável, ex-deputado federal (dos bons) e um dos maiores responsáveis pela denúncia do assassinato de Valdimir Herzog. Quero apenas reportar emoções que pintaram ao longo de nossa convivência. Como, por exemplo, a por mim experimentada quando, na Realidade, saiu uma de suas grandes reportagens. Entro, fim de tarde, no barzinho do Museu de Arte, na Sete de Abril. Lá encontro o poeta e crítico literário Paulo Bonfim. Como estava com a revista, perguntei se já lera a matéria de Dantas.

    – Acabo de ler – respondeu – e acho que o Audálio está para a reportagem bem escrita como Machado de Assis para a literatura.

    E este, aliás, é um dos maiores atrativos da vasta produção do repórter: seus textos, sem perder o rigor jornalístico, exalavam encanto literário; igualzinho ao que se experimenta lendo um bom conto ou novela. O exemplo mais marcante que me ocorre é a saga que o agora octogenário escreveu sobre os catadores de caranguejos dos mangues nordestinos. Foi, certamente, a reportagem mais tocante que já li.

    Torna-se tão mais importante, assim, registrar que entre os eventos que marcam as fartas, cintilantes Primaveras do famoso colega, está o lançamento, pela Editora Leya, do livro Tempo de reportagem. No qual, em quase 300 páginas, são reproduzidos alguns dos grandes textos de AD. Oportunidade maravilhosa para que as novas gerações das redações conheçam a importante colaboração que ele deu para o aprimoramento do bom jornalismo no Brasil.

             Como este é um registro informal, vou fechá-lo com uma história que o aniversariante talvez tenha esquecido, porém gostará de lembrar, passados 40 anos. Numa quase madrugada, começo dos anos 70, eu, Audálio e nossa colega Agnes Roberta (já falecida) saíamos de um barzinho na Boca do Luxo paulistana. Chovia. Certamente não pelos dois ou três uísques que tomara, sim por causa do aguaceiro, enfiei o pé num buraco da Light bem em frente ao boteco.

             – Droga – bradei – quebrei a perna!

             – Bobagem, vaso ruim não quebra. Vamos jantar no Gigetto – meus acompanhantes falaram ao mesmo tempo.

             De fato fizemos isso e, no restaurante, fomos incorporados à mesa na qual já estavam o ator Paulo Autran, o dramaturgo Plínio Marcos e o jornalista Samuel Wainer, com quem eu então trabalhava. Comemos, papeamos, tomamos vinho e, de repente, redescubro que a perna doía. Contei a Samuel o que acontecera, e ele pediu que eu levantasse a calça.

             – Porra – suspirou – a tua canela está mais inchada do que o braço do Popeye.

             Audálio e Agnes, que se voltaram, arregalaram os olhos. E imediatamente me levaram para um PS de Fraturas, na avenida Angélica.

             Qualquer hora dessas, quando for a São Paulo, levarei a Audálio Dantas seu presente pelos 80 anos. Será o gesso da perna, que guardei por causa das pessoas que nele colocaram autógrafos. Lá estão várias assinaturas de colegas da Folha, amigos comuns, alguns falecidos, mas que não podem ser esquecidos. Entre eles Aroldo Chiorino, Flávio de Barros Pinto, Álvaro Pais Leme, Arlindo Piva, Zé Aparecido, Lourenço Diaféria, Gil Passarelli, Dirceu Salles, Nelson Coletti, Cláudio Abramo, Alexandre Gambirasio, José Nêumane, JB Lemos, Hamilton Almeida Filho, Carlos Marão e José Maria do Prado. Parabéns, meu alagoano predileto. E que assim seja.

    Por: Antonio Contente
    Foto: Igor Ribeiro

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