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Memórias da Redação

    24.12.12 - Memórias da Redação – Nos bons tempos do Moa...

    Luiz Roberto de Souza Queiroz, o Bebeto (lrobertoqueiroz@uol.com.br), ex-Estadão, que hoje pilota sua própria empresa de comunicação, manda breves casos sobre seu período no jornal.

    Nos bons tempos do Moa...

    O mais querido chefe de Reportagem do Estadão, Moacyr Castro, contou há dias que uma das grandes vergonhas pelas quais passou foi numa greve brava, no largo 13 de Maio, em São Paulo, para o lado de Santo Amaro. Ele mandou três repórteres ficarem circulando pela área e quando telefonei para contar que ia haver mesmo pancadaria, me disse que aguentasse um pouco, iria mandar reforço, chamaria uma repórter – linda, por sinal – que estava em casa, pois era quase meia-noite. Respondi que devia estar dormindo naquela hora e que gostaria mesmo é de estar na cama com ela.

             Moacyr ligou para a casa dela, e quando atenderam disse, para quebrar o gelo: “O Bebeto falou que eu devia é estar na cama com você, em vez de te tirar da cama para fazer a cobertura da greve”. Do outro lado uma voz sonolenta respondeu: “Eu acho que o senhor está falando com a pessoa errada, deve querer falar é com a minha filha...” Pano rápido.

             Ainda sobre o Moacyr e repórteres bonitas, havia uma (que não deu certo na profissão) que empacava quando escrevia um texto e não lembrava de determinada palavra. Irritado, Moacyr disse para escrever qualquer palavra e continuar o texto, mais tarde ela ou o copy colocariam a palavra faltante. Mais irritada que o Moacyr, a repórter passou a substituir as palavras de que não lembrava pelo termo “merda” e com a “solução” a foca passou a escrever mais depressa. E, é claro, houve um dia em que uma das “merdas” escapou e só foi encontrada já na Oficina. Deu “merda”.

             Também de focas que nem o Chico Ornellas conseguiria amestrar é a história de um ex-quase-futuro repórter que o chefe de Reportagem mandou que fosse comigo cobrir a coletiva de um italiano que iria lançar uma fábrica de sapatos no Brasil. “Você acompanha o Bebeto e na volta cada um escreve a matéria. Na comparação, vou mostrar onde você acertou e onde errou, e assim aprende”.

             Escrevi a matéria, entreguei e estava flanando pela redação vazia e o foquinha não largava a Olivetti. Quando fomos checar, ele demorara porque escrevera todas as letras “O” à mão. A máquina tinha perdido a tecla “O” e o consertador a substituíra por uma tecla em branco e o repórter não encontrara a vogal. A brincadeira que todo mundo tentou em seguida foi imitar o repórter, tentando digitar sem a letra “O”. Garanto que é bravo.

             Voltando ao Moacyr, ele acaba de lembrar uma história do Mário Erbolato, de Campinas, que fez uma matéria sobre a indústria Roberto Bosh, que, na época, há 40 anos, implantou o “horário móvel”, novidade para que os funcionários pudessem ir às reuniões de Pais e Mestres ou levar o filho ao médico.

             O resultado foi ótimo, a produtividade cresceu, mas o chefe das Sucursais deu uma bronca inesquecível no Erbolato, disse que o assunto não tinha a menor importância e que nova matéria sobre a Bosch só quando um incêndio destruísse a fábrica.

             Conta o Moacyr que Erbolato engoliu a bronca, ficou arrasado e a matéria foi para “cesta sessão”. Mas o Jornal da Tarde, que usava material dos correspondentes, aproveitou a reportagem como manchete. Erbolato, um gentleman, limitou-se a fazer “cara de conteúdo” e nunca reclamou da bronca indevida.

    Por: Luiz Roberto de Souza Queiroz
    Foto: Arquivo

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