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Memórias da Redação

    18.02.13 - Memórias da Redação – As calcinhas do Jerry Adriani

    Memórias da Redação

    Na esteira das comemorações pelos 50 anos de José Paulo de Andrade na Rádio Bandeirantes, Plínio Vicente (plinio.vsilva@hotmail.com) manda de Roraima uma história que viveu no interior de São Paulo com o titular do Pulo do gato.

    As calcinhas do Jerry Adriani

    Anos 60 do século passado. José Paulo de Andrade e eu apresentávamos um programa matinal de variedades, de 2ª a 6ª.feira, na Difusora AM de Jundiaí (SP). Às vezes, no meio da semana, ele chegava tarde, pois era também narrador de futebol da Bandeirantes AM. Quando era escalado para jogos no interior, seu retorno à capital dava-se quase sempre no meio da madrugada e não era fácil acordar a tempo de encarar, sem atrasos, os 60 km da Via Anhanguera até a Terra da Uva.

    A situação se repetia quase sempre nas manhãs das 5as.feiras. Nesses dias eu abria o programa, pedia ao operador para emendar duas ou três músicas e ia para uma das janelas do 7º andar esperando ver o Zé Paulo chegar e estacionar seu carro na rua Barão de Jundiaí, em frente ao Edifício Mariju, prédio da emissora. Alguns anos mais tarde, até nossa parceria se desfazer, a espera já não era mais pelo Willys Gordini, mas por um Opala Comodoro.

    Foram alguns anos que, confesso, me fizeram aprender muito. O eterno apresentador do Pulo do ato revelou-se um amigo especial, jamais se recusou a me ajudar, principalmente mostrando como descobrir, na prática, os segredos do radiojornalismo. As informações que recolhi no curso de nossa parceria foram cruciais para que, ao deixar o rádio e bandear-me para o jornalismo impresso, eu pudesse alcançar um relativo sucesso mais à frente. Diria mesmo que sem elas teria sido muito mais difícil fazer carreira. Aliás, foi ideia dele eu pedir ao dono da Difusora, Tobias Muzaiel, que anotasse na minha carteira profissional o exercício da função de redator-noticiarista, prevista no Decreto 972/69, que regulamentou a profissão de jornalista, e com a qual me habilitei a requerer ao Ministério do Trabalho o registro de jornalista.

    Entre suas tantas virtudes, Zé Paulo tinha uma que marcou definitivamente minha admiração por ele: a capacidade para atrair nomes famosos da música e convencê-los a participar de um programa de rádio no interior. Era comum a Difusora ser visitada por cantores e músicos de todos os estilos, os que já faziam sucesso ou aqueles que ainda estavam começando a carreira. Foi assim que conheci Antonio Rago, um violonista fabuloso e a quem sempre pedia uma palhinha de Abismo de rosas, clássico da música romântica brasileira; e Reginaldo Rossi, que encantava minha saudosa mãe com suas músicas brego-românticas. Eram nomes com os quais Zé Paulo mantinha o contraponto aos que faziam sucesso entre a garotada.

    Junto com os dois, figurinhas carimbadas do programa, quase toda a Jovem Guarda passou por lá, menos Roberto e Erasmo Carlos. Mas a lista é grande e entre os mais famosos tive a oportunidade de conviver no estúdio com Jorge Ben (ainda sem o Jor), Mário Marcos (que depois veria seu irmão Antônio Marcos ganhar status de estrela pop), Vanusa, Carlos Gonzaga, Agnaldo Timóteo, Os Vips, Nalva Aguiar, Martinha, Agnaldo Rayol, Eduardo Araujo e Sylvinha, Golden Boys, Nilton César, Os Incríveis, Paulo Sérgio, Rosemary, Ronnie Von, Renato e seus Blue Caps, Roberto Barreiro, Sérgio Murilo, Trio Esperança, Waldirene e Wanderley Cardoso, entres outros menos votados. Creio, todavia, que todo o zoológico da Jovem Guarda dos anos 1960 frequentou o nosso aquário.

    Numa 2ª.feira Zé Paulo me informou que estava tentando convencer um dos reis do iê-iê-iê a ir ao programa. Mas faltavam ainda alguns detalhes e por isso guardou segredo. Na 4ª.feira revelou no ar: “Sexta-feira o programa Cidade em dose dupla vai receber Jerry Adriani. Não percam”.

    Foi um alvoroço total. Meninas, meninotas, moças, senhoras e até velhotas congestionaram as linhas da falecida CTB (Companhia Telefônica Brasileira) com ligações ininterruptas para a rádio querendo saber a que horas o Jerry chegaria, se era preciso comprar ingressos etc etc.. Foi então que começamos a perceber o tamanho do problema. O cara era um astro de primeira grandeza e certamente o prédio da rádio seria pequeno para o tamanho da plateia. Mas o pessoal não concordou em levar o programa para outro local.

    Eu chegava à emissora quase de madrugada, sempre antes das seis, abria a programação depois da execução do Hino Nacional e entregava o horário a Tião Caboclo, apresentador sertanejo, que ia até pouco antes das sete. Eu entrava de novo, fazia a passagem e anunciava Adolfo Barbieri, dono de um programa de músicas antigas. Quando recebia o horário de volta, pouco antes das 8h, abria o Cidade em dose dupla e ficava à espera do Zé Paulo, que quase sempre chegava com uns dez minutos de atraso. Aí a gente tocava junto até meio dia. 

    Na 6ª.feira, com o dia ainda escuro, ao atravessar a rua Barão de Jundiaí em direção à rádio chamou-me a atenção o número de pessoas que já se aglomerava em frente ao prédio. Seu Anselmo, o zelador, estava apavorado e não sabia o que fazer para segurar aquela gente toda, que insistia em subir até o estúdio. Já estava a ponto de chamar a polícia. Em seu socorro, expliquei à mulherada que o Jerry só chegaria lá pelas 10 horas e não adiantava elas ficarem ali, pois por uma questão de segurança ningu&ea

    Por: Plínio Vicente

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