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Memórias da Redação

    06.02.12 - Memórias da Redação – Marin x Mayrink

    A história desta semana é uma colaboração de José Maria Mayrink (jmmayrink@terra.com.br), que passou, entre outros, por O Globo, JB, Veja, Jornal da Tarde e que desde 1991 é repórter especial do Estadão.

    Marin x Mayrink

    Um colega de um jornal de esportes surpreendeu-me com um telefonema, em casa, na semana passada. Chamou-me pelo celular, cujo número pouca gente tem, para me entrevistar.

    – Doutor J.M.M.,  estou telefonando ao senhor para lhe dar o direito de resposta no caso da polêmica em que o senhor se envolveu ontem ao embolsar uma medalha...

    Percebi logo que o colega estava equivocado e fui direto ao esclarecimento da questão:

    – Não vou me pronunciar sobre esse assunto. Sou jornalista, repórter do Estadão. Meu nome é José Maria Mayrink. Você deve estar querendo falar com o político José Maria Marin...

    Antes que eu explicasse mais, pediu muitas desculpas e perguntou se outro número de telefone, dessa vez o telefone fixo, também era meu. Era.

    Percebi o constrangimento do colega, a quem com certeza uma fonte igualmente equivocada forneceu o meu contato.

    Meu sobrenome tem duas letras a mais do que o do meu xará – y e k, antes banidas do alfabeto, recentemente reincorporadas pelo Novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa –, mas esse detalhe tem-me custado algumas confusões.

    Até Dona Maria Augusta, minha mãe, foi vítima delas:

    – Dona Maria, quer dizer que agora o Zé Maria é governador de São Paulo, não é? –, cumprimentou-a uma amiga em Jequeri, minha terra natal, em Minas Gerais, quando Paulo Maluf deixou o governo para se candidatar a deputado federal em 1982 e o vice, José Maria Marin, assumiu o Palácio dos Bandeirantes.

    Dona Maria Augusta, professora aposentada, que morreria  22 anos depois, respondeu que não, pois o filho jornalista não era metido em política. A amiga, porém, insistiu:

    – É ele sim, José Maria Mayrink, eu acabei de ouvir na Rádio Bandeirantes.

    Diante da segurança de fonte tão insuspeita, minha mãe ficou meio hesitante, mas não cedeu:

    – Não deve ser o Zé Maria, não. Se fosse, ele tinha escrito.

    Jequeri não tinha telefone na época, dependia das cartas do correio, que chegavam sempre com dias de atraso.

    Por: José Maria Mayrink
    Foto: Mario Cesar

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