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07.04.17 - Especial Dia do Jornalista - Celebração e reflexão

A versão mais consistente para a escolha de 7 de abril data como Dia do Jornalista remonta ao período do Império: ela é comemorada nesse dia em homenagem a João Batista Líbero Badaró, médico e jornalista que morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, em 22 de novembro de 1830; essa morte gerou um movimento popular que levou à abdicação de D. Pedro I, no dia 7 de abril de 1831. Por causa disso, a data foi escolhida para marcar a fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por Gustavo de Lacerda, em 1908. E a própria ABI foi quem a instituiu como Dia do Jornalista nas comemorações de um século da abdicação de D. Pedro I, em 1931. A entidade completa 109 anos neste 7 de abril de 2017.

A edição especial de J&Cia presta uma homenagem à ABI, contando um pouco da sua história (principalmente com base em informações disponíveis no próprio site), ouvindo seu presidente Domingos Meirelles, além dos conselheiros Audálio Dantas e Juca Kfouri e do diretor de Jornalismo Moura Reis.

Entidade de projeção, ABI busca superar crise e momentos de intranquilidade

Guardiã das liberdades democráticas e uma das mais respeitadas instituições da sociedade civil, a ABI tem enfrentado, no plano interno, inúmeros desafios para manter o prestígio e a própria sobrevivência econômica.

Hoje, o maior desafio é econômico, tendo em vista a brutal queda de receitas provocada pela desocupação de grande parte das salas de seu histórico prédio da rua Araújo Porto Alegre, no Centro do Rio de Janeiro, um dos pilares de sustentação da entidade. Com a crise, a desocupação de salas se acentuou e a conquista de novos inquilinos não se dá na velocidade desejada, pela própria ausência de interessados.

A instituição, no entanto, livrou-se recentemente de um de seus maiores pesadelos: a perda da isenção tributária, ocorrida durante o Governo FHC. Após anos de luta e ao lado da Academia Brasileira de Letras (ABL) e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), recuperou a isenção, com a aprovação, pelo presidente Michel Temer, do Projeto de Lei 191/2006, de autoria do senador José Sarney.

No próximo dia 28/4, a entidade realiza eleições para a renovação do terço do Conselho Deliberativo, nos cargos de efetivos e suplentes. As inscrições de chapas vão até sexta-feira, 7 de abril. Esse, em geral, é um momento de grande agitação da entidade, com as disputas entre grupos e correntes políticas e ideológicas, uma marca na vida da entidade nos últimos anos.

Todos os associados poderão votar eletronicamente pelo site da entidade (www.abi.org.br). Os associados residentes fora do Rio de Janeiro também poderão votar nas representações estaduais da ABI, cujos endereços serão divulgados no site.

 

Domingos Meirelles

“Lutamos pela democracia, mas é preciso também acabar com a violência contra os jornalistas e impedir o amordaçamento da imprensa”

Presidente da ABI desde 2014, reeleito no ano passado, Domingos Meirelles conquistou mais de 30 prêmios em jornalismo e literatura ao longo de seus 50 anos de profissão. Vencedor de dois Prêmios Esso, três Jabuti, o Prêmio Rei da Espanha 1992, três Vladimir Herzog, entre outros, ele acrescentou novas e relevantes conquistas nos dois últimos anos: em 2015 o Prêmio ExxonMobil de Telejornalismo, em equipe, pela reportagem As eternas escravas, exibida no programa Repórter Record Investigação, da Rede Record, e em 2016 voltou a conquistar o Prêmio Rei da Espanha com o mesmo trabalho. Âncora do Repórter Record, onde está há alguns anos, foi na Globo que ficou conhecido nacionalmente, primeiro como repórter especial de Jornal NacionalFantástico e Globo Repórter, e depois como âncora do Linha Direta. Nunca deixou de demonstrar a paixão pelo jornalismo impresso, por onde passou na primeira fase da carreira, em publicações como Quatro Rodas, Realidade e O Estado de S. Paulo. É autor de três livros sobre a História do Brasil, um em obra coletiva.

Com extensa folha de serviços prestados à ABI, Domingos Meirelles ali começou como editor do Boletim ABI, mais tarde transformado em Jornal da ABI, ainda durante a ditadura militar. Em 2004, ocupou a Diretoria de Assistência Social e reverteu a iminente extinção do ambulatório da entidade. O bom desempenho gerencial o levou, dois anos depois, a acumular a Diretoria Administrativa, Serviços Gerais, Patrimônio, Departamento Jurídico e manutenção do edifício-sede. Na ocasião, a ABI passava por uma crise, em que o então presidente Mauricio Azêdo foi duramente atacado e que culminou com a saída de metade da diretoria. Isso não paralisou as atividades em curso, e datam dessa época realizações como a reforma de vários setores, com destaque para a Biblioteca Bastos Tigre, no 12º andar, e o auditório do 9º andar. Todas as obras físicas estão detalhadas no Relatório de Atividades da Diretoria até 2007, publicado no Jornal da ABI.

Meirelles exerceu ainda o cargo de diretor Econômico-Financeiro na gestão de Mauricio Azêdo, até que a ingerência de pessoas de fora dos quadros da ABI na administração da casa o levassem a se posicionar como oposição. A morte de Azêdo, em 2013, gerou outra crise na entidade, desta vez quanto à sucessão dele, e que redundou em ações judiciais, já concluídas.

Quando o vice Tarcísio Holanda assumiu a Presidência, em fevereiro de 2014, Domingos voltou à função de diretor Econômico-Financeiro, respondendo pelo gerenciamento da área de serviços gerais e manutenção do edifício-sede, simultaneamente à de editor do Jornal da ABI.

Ele falou a J&Cia sobre a entidade e temas que afetam mais diretamente o jornalismo nesse 109º aniversário da ABI, chamando inicialmente a atenção para uma situação inusitada: “Veja só que ironia do destino: com a crise que devasta hoje a grande imprensa, a ABI viu-se obrigada a retomar alguns compromissos que teve no passado. Reativamos nossa policlínica para atender aos sócios que não tiveram condições de manter seus planos de saúde. Também distribuímos mensalmente 120 cestas básicas para jornalistas que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade, no limiar da miséria. Tudo isso sem receber um centavo do poder público”.

Jornalistas&Cia – Qual o principal papel da ABI, hoje, quando completa 109 anos?

Domingos Meirelles – Ao longo da sua existência, a Associação Brasileira de Imprensa sempre teve como seu objetivo o primado das liberdades e das garantias individuais, legado dos jornalistas de talhe anarquista que fundaram a instituição no começo dos anos 1920. Nos dias de hoje, seu principal compromisso é com a defesa da liberdade de imprensa, o acesso à informação, e a inviolabilidade do exercício profissional. O número de jornais e jornalistas que a ela recorrem, todos os anos, em busca de alento e proteção, demonstra a relevância que adquiriu como guardiã dos direitos dos profissionais de imprensa em todo o País.

O papel da ABI permite, entretanto, diferentes leituras ao longo dos seus 109 anos de existência. A sua trajetória confunde-se, em vários momentos, com a própria história do Brasil. A ABI esteve presente em todas as efemérides que marcaram a nossa vida política, econômica e cultural, desde a sua fundação em 1908. 

Criada por um grupo de visionários para oferecer amparo aos jornalistas que no começo dos anos 1920 não usufruíam de nenhum tipo de proteção social, abandonou aos poucos a influência do movimento anarquista para se projetar no tempo como a entidade mais representativa e longeva da sociedade civil.

A multiplicidade de suas intervenções, levou-a a exercer também diferentes papéis na vida republicana. Os grandes movimentos populares que construíram o Brasil moderno tiveram como berço a ABI. O exemplo mais expressivo talvez seja a campanha em defesa do petróleo. As movimentadas reuniões, inicialmente confinadas no seu auditório, logo transbordaram, conquistaram as ruas e o País, obrigando o governo a criar a Petrobras.

A ABI foi também a mais extraordinária trincheira de resistência em defesa das liberdades durante o regime militar. Teve ainda uma participação exuberante no restabelecimento do Estado Democrático de Direito. E ao lado da OAB exerceu papel proeminente no impeachment do então presidente Fernando Collor.

J&Cia – Como avalia o aumento da violência contra jornalistas? 

Domingos – As manifestações de intolerância política contra os jornalistas aumentaram consideravelmente após os movimentos populares de 2013. As críticas sobre o trabalho dos veículos de comunicação tornaram-se igualmente cada vez mais ásperas, como também as agressões contra jornalistas envolvidos em diferentes coberturas. Essa espiral de violência tem sido fermentada por setores da sociedade acoitados pelo anonimato das redes sociais. A acidez das críticas desse universo líquido derramaram-se com toda sorte de insultos sobre o trabalho dos jornalistas, com uma agressão jamais vista desde o advento da internet. Os repórteres, vítimas contumazes da sanha policial, passaram também a ser alvos preferenciais de grupos ensandecidos que acreditam agir em defesa da democracia. A história recente tem mostrado como terminam essas manifestações que responsabilizam o outro pela sua visão de como deveriam viver os homens em uma suposta sociedade justa, fraterna e igualitária.

J&Cia – E as tentativas de censura via judiciário? O exemplo mais recente é um movimento orquestrado de PMs do Espírito Santo contra A Gazeta, por causa de uma charge.

Domingos – A imprensa tem sido amordaçada pelo judiciário, nos dias de hoje, com uma constância incomum. Juízes singulares passaram a se sobrepor ao entendimento de cortes superiores para silenciar jornais e jornalistas através de interpretações pessoais da legislação em vigor. Na maioria das vezes, essas decisões são proferidas exclusivamente para contemplar privilégios corporativos em flagrante litígio com os melhores interesses da sociedade. Chega a ser estarrecedor que até cortes intermediárias, como órgãos revisores, afrontem decisões em matérias já consagradas pelo STF. Entre essas graves violações estão o direito de sigilo da fonte, que tem sido sistematicamente ignorado. O direito "de crítica severa, dura, ou até mesmo impiedosa" a figuras públicas, reconhecido como inerente à atividade jornalística, desde que não represente uma simples ofensa, como reconheceu o ministro do Supremo Celso de Mello, tem sido sistematicamente desconsiderado pelas mais variadas instâncias do judiciário.

J&Cia – Quais são, na sua opinião, os principais desafios da atividade jornalística em face das transformações em curso?

Domingos – A velocidade das transformações impostas à atividade jornalística pelas novas tecnologias tem fragilizado o exercício profissional e a credibilidade da imprensa como instituição. Diante da premência do tempo na divulgação de uma notícia, abandonou-se uma das regras elementares do ofício: checar a autenticidade da informação. Essa falha grave deu origem ao que se convencionou chamar de fake news, a proliferação de notícias sem nenhum fundamento, o que era impensável de acontecer alguns anos atrás. O rigor da apuração foi substituído pelo imediatismo da divulgação, gerando toda sorte de consequências e desdobramentos imprevisíveis. Ainda vai levar um bom tempo para que se estabeleçam padrões de comportamento que sejam refratários a esse tipo jornalismo volátil e leviano, que acolhe notícias sem questionar a sua origem.

J&Cia – Como vê o futuro da ABI?

Domingos – A ABI vai ter que enfrentar também os desafios desse novo mundo. Ela pode levar algum tempo para digerir e aceitar com naturalidade as tecnologias digitais, mas sobreviverá a todos esses processos de transformação. Eles acabarão se eliminando uns aos outros, uma autofagia própria da volúpia que caracteriza o processo capitalista. São poucas as entidades que completarão 109 anos de existência com o mesmo vigor da ABI.

J&Cia – Qual o seu olhar sobre a imprensa brasileira de hoje? Onde ela se mostra mais forte e mais vulnerável?

Domingos – Os profissionais da minha geração dizem que os jornalistas hoje trabalham sem tesão. Não se vê mais nas redações aquela atmosfera que fazia a riqueza e a graça dos jornais do passado. Naquela época, as redações enevoadas pela fumaça dos cigarros eram também espaços de convivência social, onde as paixões afloravam com intensidade, em meio ao barulho das máquinas de escrever, onde todos pareciam falar e se divertir ao mesmo tempo. Os novos profissionais não vão mais à caça de boas notícias, esperam que elas cheguem fria e silenciosamente à redação através de um e-mail. Não se pode escrever uma boa matéria entre quatro paredes.

J&Cia – E em relação aos profissionais, que desafios enxerga para o mercado de trabalho?

Domingos – A mídia impressa não soube como enfrentar as novas tecnologias digitais, apesar de ter superado desafios igualmente poderosos no passado como a chegada dos noticiários radiofônicos que surpreenderam os jornais no final dos anos 1930. O maior de todos os enfrentamentos talvez tenha sido o advento da televisão ao vivo e a cores, que parecia ter condenado os jornais à morte. O leitor era capaz de assistir a um acontecimento com o máximo de detalhes no exato momento em que ocorria. No dia seguinte, em tese, os jornais não teriam mais nada a acrescentar do que fora exibido pela tevê no dia anterior. Os jornais perceberam que a diferença entre os dois veículos estava no conteúdo e na análise da informação, ao contrário da notícia ligeira e superficial da tevê. Esse foi talvez o momento mais exuberante da imprensa contemporânea. As empresas passaram a contratar os melhores profissionais do mercado valorizando o trabalho do repórter. Nunca surgiram tantas publicações como na época em que se apostava na hegemonia da tevê a cores. Foi o momento da grande reforma do Jornal do Brasil, com o estabelecimento de novos padrões gráficos e editoriais. Nesse mesmo período eram lançadas, num curto de espaço de tempo, as revistas Quatro Rodas, Claudia, Veja e Realidade. O jornalismo diário recebia também um novo concorrente nas bancas: o irreverente e extraordinário Jornal da Tarde, que reunia o segundo melhor time de repórteres do País, depois de Realidade. Bem, mas isso tudo é passado. QUE VENHAM AGORA AS MÍDIAS DIGITAIS!

 

A opinião dos pares

Dois conselheiros e um diretor da atual gestão também falaram sobre o papel da entidade na sociedade brasileira no momento em que completa 109 anos e comentaram três temas candentes para os jornalistas: o aumento da violência contra profissionais; as tentativas de censura via judiciário; e desafios da atividade em face das transformações em curso.

Audálio Dantas, conselheiro

O papel da ABI, hoje, deveria ser muito mais relevante do que o que desempenhou durante muitos anos. Isso se deve ao fato de que, infelizmente, a entidade vem atravessando há anos crises que a levaram a perder a importância que deveria ter como a primeira associação de jornalistas fundada no País. A perda dessa importância se deve à ocupação de espaço em sua direção por pessoas despreparadas e, por que não dizer, por muitos aventureiros.

É preciso dizer, com franqueza, que a ABI, apesar dos esforços da atual direção, não está à altura de representar as aspirações dos verdadeiros jornalistas e da sociedade brasileira em geral. Ela está ausente da discussão das grandes questões nacionais. Suas bandeiras, como a defesa das riquezas nacionais (é só ver a questão do petróleo) foram jogadas por terra. A ABI não se move, principalmente, para discutir uma questão candente como o atropelo do exercício da profissão e das liberdades democráticas em geral. Ela tem um Conselho Consultivo, ao qual pertenço, que nunca foi consultado sobre coisa alguma...

O aumento da violência contra jornalistas no exercício da profissão é um dos pontos que exigem uma atuação firme da ABI. Não bastam as notas de protesto. Essa questão é nacional, ligada à herança que as polícias militares carregam da ditadura. No plano estadual, os governadores fecham os olhos para o fato de que as suas polícias demonstram claramente que têm os jornalistas como alvos preferenciais nas manifestações públicas. Em São Paulo, por exemplo, o governo do Estado nega-se a discutir o assunto com o Sindicato dos Jornalistas, que aguarda há mais de três meses resposta a uma solicitação de audiência assinada pelo atual e por sete ex-presidentes da entidade.

A Constituição aboliu a censura, mas, absurdamente, juízes de primeira instância em todo o País hoje exercem o papel de censores.

O exercício da profissão enfrenta problemas que vão muito além das transformações trazidas pelas novas tecnologias. Um deles tem a ver com o estreitamento dramático do mercado de trabalho e a submissão de muitos profissionais a um jornalismo cujos compromissos são cada vez mais com os interesses das empresas do que com a verdade da informação.

 

Juca Kfouri, conselheiro

A ABI foi protagonista da reação à ditadura civil-militar que nos infelicitou. Sua importância não deveria ter decrescido com o restabelecimento da democracia, mas, fato é, decresceu. Senti falta de sua voz nos acontecimentos que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff, como voz crítica ao papel desempenhado pela nossa imprensa.

A violência contra jornalistas decorre, entre outros motivos, exatamente da falta de firmeza em seu combate, esta anestesia de tratar de temas delicados com bravura, razão principal para que o judiciário também pinte e borde em seus arroubos como censor.

Vivemos tempos difíceis em todos os sentidos e nossa atividade, independentemente de plataformas novas ou antigas, não pode se afastar do que Millôr Fernandes ensinou: "Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados".

 

Moura Reis, diretor de Jornalismo

Creio que o principal papel político da ABI seja dar continuidade aos princípios que nortearam sua fundação, em 1908, por Gustavo de Lacerda, um anarquista sonhador, combatente mas democrático: congregar, unir, defender as condições do exercício da profissão. A ABI tem uma democracia interna muito peculiar: discorda-se, mas não da premissa maior, que é a própria democracia. Um regime imperfeito, que se precisa construir a cada dia, mas o melhor que se encontrou até hoje. Nosso desafio é avançar sem perder os princípios fundamentais.

O recrudescimento da violência contra jornalistas hoje é a situação mais grave que enfrentamos. Mas não é exclusividade nossa, brasileira, é internacional. A violência pessoal está inserida no quadro geral que o País vive, não é possível dissociá-la. A institucional é que pode ser controlada, via diálogo permanente. A propósito de episódios em manifestações de rua, ouvi de dois oficiais da PM de São Paulo, em encontros recentes, que a corporação não encara os jornalistas como inimigos, não é uma diretriz passada aos soldados. Da mesma forma, os jornalistas não podem ver a PM como inimiga. Todos estão lá a trabalho, uns para garantir a ordem, outros para informar a população. É necessário que trabalhemos juntos para encontrar meios de conviver.

Quanto à censura judicial, creio que o judiciário precisa se autocontrolar para evitar que se autodesmoralize.

O desafio das novas tecnologias é o de termos capacidade de evoluir em todos os processos, como já aconteceu antes. Como sou da chamada “geração do chumbo”, que trabalhou na época das linotipos, lembro especificamente de dois episódios: a troca das canetas tinteiro pelas máquinas de escrever e a utilização das telefotos para a transmissão de fotografias. Grandes mudanças que aconteciam de tempos em tempos e a gente se adaptava. Hoje as coisas mudam todos os dias. Então, o desafio é aprimorar a capacidade de absorver essas mudanças para aprimorar o jornalismo, mais importante instrumento da cidadania, da educação, da democracia. Somos militantes da vida, em primeiro lugar; por isso, lutamos. Apesar das críticas e dos problemas, hoje fazemos um jornalismo muito melhor do que se fazia na época da fundação da ABI. É preciso olhar para a frente.

A propósito da praga das fake news, lembro-me de um conto de Machado de Assis que mostrava bem o mecanismo do boato, que naquela época levava 24 horas para se disseminar. Hoje a coisa é instantânea, nasce do outro lado do mundo e imediatamente se espalha. A melhor ferramenta para um jornalista evitar as notícias falsas é ter a mente honesta e agir sem passionalismo.

Leia na íntegra a edição especial de Jornalistas&Cia

Por: Redação Jornalistas&Cia




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