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20.04.17 - Memórias da Redação -- À queima-roupa

Volta a colaborar com este espaço Sandro Villar, que construiu a maior parte da carreira em rádios, nas quais foi desde discotecário até diretor, passando por reportagem e edição, e que por muitos anos atuou como correspondente do Estadão em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. É crítico, cronista e editorialista para vários jornais, com textos que trazem um toque de humor para os fatos do dia a dia.

À queima-roupa

Jornalista e policial civil, Ronaldo Lopes, o Pantera, era repórter policial na Rádio Record, lá no bairro do Aeroporto, e radioescuta na TV Cultura. Trabalhava mais do que lenhador canadense no século 19 e, se cabe outro comparativo, suava mais do que marcador do Neymar para ganhar a vida. Ou para ganhar o pão nosso de cada dia e de cada noite, coisa cada vez mais difícil nestes tempos temerários. Encurtando a historinha: era um tremendo pé de boi, que é como é chamado o sujeito que trabalha demais.

Claro que, como policial, além dos empregos no rádio e na tevê Pantera cumpria a sua jornada em delegacias. Não sei se já se aposentou e mantém uma rotina de ficar em seus aposentos, que é para onde o nosso amado governo quer mandar, aos 65 anos, os aposentados, esses ricos que choram de abdômen cheio.

Grande figura, o Pantera, com seu jeitão de jogador de basquete americano. Era muito querido na TV Cultura. Todo mundo lá gostava dele. Pantera trabalhou com as equipes comandadas pelos jornalistas Fernando Pacheco Jordão, Vladimir Herzog, Demétrio Costa, Paulo Roberto Leandro e Tito Lima.

Todo santo dia, na Rádio Record, um colega de trabalho, muy amigo, zombava do Pantera por ele ser policial. Era deboche pesado, atitudes malévolas – confesso que adorei tal expressão, as tais atitudes malévolas.

Quando os dois se cruzavam nos corredores da rádio, o provocador não perdia a oportunidade de caçoar do Pantera. "Ainda vou pegar esse teu revólver e enfiar na tua boca", dizia o sujeito, que na verdade dizia outra coisa e não boca. Como J&Cia é de família, acho de bom alvitre não citar a palavra que o provocador dizia no fim da frase.

A princípio, o repórter até achava engraçado, mas, com o passar do tempo e cansado das chacotas, resolveu reagir dando uma lição no sujeito. Antes, porém, advertiu o provocador: "É bom parar com isso, você ainda vai se dar mal".

Num belo dia o repórter cumpriu a promessa e foi à forra com ferro e fogo. Assim que o colega começou a falar as bobagens de sempre, o Pantera sacou o revólver e deu um tiro na cara do abusado.

Isso mesmo: assim na lata, tiro à queima-roupa ou, no caso, tiro à queima-pele. Foi só um susto. Era bala de festim.

Depois dessa, o colega, abalado com o susto, nunca mais dirigiu gracinhas ao Pantera, que riu por último, de orelha a orelha, com um "festim diabólico". É como dizia o grande repórter policial Octávio Ribeiro, o Pena Branca: "Terrorismo só respeita terrorismo".

Por: Sandro Villar
Foto: Reprodução Jorbras




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