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17.03.17 - Memórias da Redação -- Tempos de Abril

A colaboração desta semana é de Ângela Pimenta, que trabalhou na editoria de Artes e Espetáculos de Veja entre 1991 e 1999. Foi editora sênior da revista Exame em Brasília (2007-2011) e representante da Online News Association no Brasil (2009-2014). É mestre em Jornalismo pela Columbia University School (2001) e presidente do Projor desde julho de 2015.

Tempos de Abril

Corria o ano de 1996 no prédio da Abril na Marginal do Tietê. Por volta da uma da tarde tomamos o elevador no 7º andar, onde ficava a redação da Veja, rumo ao Lixão, o bandejão que servia o pessoal da gráfica, da distribuição, do Dedoc e os jornalistas. Um andar abaixo, a porta do elevador se abriu. Para nossa surpresa, apareceu o então prefeito de São Paulo Paulo Maluf, acompanhado do diretor de Redação de Veja Mario Sergio Conti e de Carlos Maranhão, que dirigia a Veja São Paulo. 

– Bôa tarrde! – bradou Maluf com a voz anasalada. 

Devolvemos um boa tarde minimalista, tentando manter os olhos pregados no chão. Postado em frente ao painel do elevador, o colega Celso Masson, crítico de música da Veja, apertou um  botão com o indicador direito para manter a porta aberta até que todos embarcassem.

Mas assim que entrou, Maluf não se fez de rogado. Estendeu a mão pra cumprimentar o Masson, que continuava com o dedo pressionando o botão. O suspense congelou a cena por alguns segundos: Maluf com a mão no ar, o Masson com o dedo no botão do elevador. "Não larguei  até ele desistir", lembra Masson. 

Aguentamos firmes em silêncio até descer no térreo. Mas assim que viramos à direita para pegar o labirinto que levaria ao Lixão, caímos na gargalhada, imitando o Maluf com a mão no ar e o Masson com o dedo no botão do elevador.

Naquele tempo, a redação da Veja tinha uma mesa de luz, onde as fotos produzidas eram convertidas em slides e editadas com uma lupa. Escrevíamos no sistema DOS em computadores que pareciam aparelhos portáteis de TV. As letras cor de âmbar despontavam na tela cinzenta da máquina.

Como não havia internet, o Dedoc produzia pesquisas que podiam levar dias para ser entregues em calhamaços de xerox. A diagramação era riscada em papel e as fotos prismadas nos diagramas. Para tanto, os diagramadores entravam num cubículo onde enfiavam o rosto debaixo de um pano preto. 

Penávamos nos fechamentos semanais, que não raro varavam a madrugada de sexta-feira. Na editoria de Artes e Espetáculos, além do Masson, havia feras como Geraldo Mayrink (1942-2009), João Gabriel de LimaRinaldo Gama e Ricardo Valladares.

Certa vez, a madrugada avançava, mas a matéria do Geraldo continuava parada no editor executivo Paulo Moreira Leite. Depois de jantar, acender alguns cigarros e contar piadas, Geraldo começou a ficar angustiado. O tempo passava e nada. Depois de um suspiro, ele soltou essa: "Podiam tanto me ligar de Juiz de Fora dizendo que a minha mãe morreu. Só assim eu ia poder sair daqui..." Apesar do humor negro, Geraldo era muito ligado à mãe, então viva. Ambos sobreviveram àquele e a tantos outros fechamentos.

Por: Redação Jornalistas&Cia




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