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07.04.17 - Omar Peres e o enrosco da marca JB

Parece que a ideia do empresário Omar (Catito) Resende Peres de reativar o Jornal do Brasil está distante da concretização. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 2/4, ele admite que “a negociação desandou, por oposição do empresário Pedro Grossi, que administra o JB para Nelson Tanure”. Mas afirma continuar interessado no negócio, apesar de Tanure ter “dado o caso por encerrado”.

Como as condições propostas para esse negócio não são divulgadas, é difícil definir por que o acordo não segue adiante, já que Peres alardeia sua intenção de assiná-lo. Tanure detém, desde 2001, o direito de exploração comercial da marca JB, por sua empresa Cia. Brasileira de Multimídia (CBM). A ele pertence o contrato de licenciamento da marca, firmado com a família Nascimento Brito, esta, sim, a dona da marca.

Um parêntesis: ex-donos de jornais outrora poderosos mantiveram o controle das rádios das marcas. A rádio JB continua pertencendo a Josa Nascimento Brito, da mesma forma que a rádio O Dia é de Gigi Carvalho. Fecha o parêntesis.

O executivo Pedro Grossi, amigo de Tanure e gestor do site JB, opõe-se firmemente a negociar com Peres. Entre os argumentos dele para convencer Tanure estariam a preocupação que a volta do jornal poderia suscitar uma onda de reclamações fiscais e trabalhistas pendentes. Além disso, e aparentemente, Grossi não teria qualquer interesse em alterar a situação atual. Com uma mudança no controle da marca, perderia o cargo executivo e o poder de barganha na política. Para Tanure, ao que tudo indica, bastam os interesses de ambos, expressos por Grossi, para orientar os rumos desse novo negócio em perspectiva.

Mas Peres insiste, não desiste. Ele, que é mineiro, esmerou-se em valorizar o que chama de “símbolos da cultura carioca”, ao adquirir os restaurantes La Fiorentina e Bar Lagoa e, mais recentemente, em suas negociações com Ricardo Amaral para reabrir a boate, chamada clube, Hippopotamus. Talvez a compra do Jornal do Brasil, título que ele considera outro símbolo, vá demandar mais empenho.

Recentemente, Peres assinalou a aquisição do restaurante Piantella, o preferido das autoridades em Brasília, com um jantar para comemorar os 50 anos de jornalismo de Ricardo Noblat, colunista e blogueiro do Globo. Do governo e oposição, não faltaram nomes ilustres: o presidente da República, um ministro de Estado, três membros do Supremo Tribunal, tucanos e o PSOL. A demonstração de prestígio não pareceu impressionar Tanure, a outra parte do acordo que ele pretende.

Peres chegou a divulgar, em entrevista a Consuelo Dieguez, na revista piauí de março, nomes que teriam sido convidados para o novo JB: Gilberto Menezes Côrtes para ser diretor de Redação, Joaquim Ferreira dos Santos para notícias locais e Marcelo Auler para polícia. Segundo Consuelo, Tanure precisa, com urgência, desfazer-se do JB para ter direito a um assento no conselho da Oi, de telefonia. Ele é detentor de aproximadamente 7% das ações da empresa, em processo de recuperação judicial, e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) impede que donos de empresas de comunicação tenham participação em empresas de telefonia. Mas este é outro departamento – afinal, Tanure não é dono da marca JB.

Nesse meio tempo, a versão que circula informalmente no mercado é a de que a volta do JB fracassou até agora devido a um imbroglio político-econômico. Se for verdadeiro este cenário projetado por observadores, temos interesses políticos antagônicos. Grossi foi tesoureiro de campanha do senador Lindbergh Farias e com ele manteria ligações até hoje. O conteúdo do JB Online, atualmente, é considerado francamente favorável ao PT. Catito associou-se a Ricardo Amaral com vistas à retomada da casa de espetáculos Canecão, e Amaral é consultor informal do prefeito Crivella para a área de turismo. Prefeito esse que não anuncia nos veículos do Grupo Globo, depois de ter levado muita pancada durante a campanha.

Assim, se fosse concretizado o negócio, Grossi deixaria de ser o influenciador da marca JB e passaria o bastão ao político Crivella, o que, decididamente, não interessa ter ao seu aliado o político Lindbergh. Portanto, de um lado, estariam Tanure, Grossi e Lindbergh. De outro lado, Catito, Amaral e Crivella. O jornal sairia, assim, do controle dos empresários para outra área de influência – da oposição para a situação. E caberia a Tanure a opção que mais lhe conviesse, considerando, é claro, a aposta na expectativa de maior volume de anunciantes.

Por: Cristina Vaz de Carvalho




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