Por Álvaro Bufarah (*)

Na última semana, trouxe dados sobre o mercado mundial de audiolivros, com uma forte tendência de crescimento no mercado mundial, mas ainda sem valores expressivos no consumo no Brasil. Lembrando que muitos audiolivros são produções de áudio supersofisticadas, que trazem muito das técnicas das produções das antigas radionovelas dos anos 1940/50. Vamos à segunda e última parte do artigo, em que trago dados sobre o mercado e as tendências para o consumo futuro.

A revolução tecnológica e os audiolivros

Os avanços na tecnologia de narração de audiolivros, impulsionados pela inteligência artificial, podem transformar significativamente a indústria. A IA já permite a dublagem automática de audiolivros para diferentes idiomas e a criação de narradores digitais. Apesar do crescimento do setor, muitos ouvintes ainda preferem narradores humanos. Pesquisas mostram que 53% dos consumidores têm receio de que a IA reduza a qualidade das produções, enquanto 47% estão abertos à tecnologia.

Além disso, as plataformas de audiolivros estão explorando novas formas de interatividade. Algumas experiências incluem a adição de trilhas sonoras, efeitos sonoros imersivos e até mesmo escolhas narrativas interativas, aproximando os audiolivros do universo dos jogos eletrônicos e do cinema.

Estatísticas de vendas e projeções para o futuro

As vendas de audiolivros nos Estados Unidos ultrapassaram US$ 1,81 bilhão em 2022, representando um crescimento de 3,43% em relação ao ano anterior. Nos últimos cinco anos, a receita do setor aumentou mais de 50%, consolidando-se como o segmento de crescimento mais rápido do mercado editorial. Desde 2019, a receita de audiolivros superou a dos e-books e continua a expandir a sua vantagem.

O mercado de audiolivros continua a crescer e a se diversificar, atendendo a diferentes públicos e necessidades. A combinação de tecnologia, narração de qualidade e novos modelos de consumo promete manter o setor em alta nos próximos anos, consolidando os audiolivros como um dos formatos mais influentes da indústria editorial.

O custo da produção de audiolivros

A produção de um audiolivro envolve um processo complexo e relativamente custoso. Narradores profissionais cobram, em média, US$ 200 por hora gravada, o que significa que um audiolivro de 10 horas pode custar cerca de US$ 2.000 apenas para a narração. Além disso, estúdios de gravação e pós-produção elevam o custo total, que varia entre US$ 4.000 e US$ 8.000 por projeto. Algumas empresas oferecem pacotes completos de produção por valores fixos, geralmente em torno de US$ 6.000.

Outro fator a considerar é a forma de distribuição. Serviços de assinatura, como Audible e Google Play Livros, oferecem modelos de remuneração distintos para os autores e editores. Enquanto algumas plataformas trabalham com royalties que variam de 55% a 70%, outras impõem taxas que reduzem a margem de lucro dos produtores de conteúdo.

O futuro do mercado de audiolivros dependerá de como as plataformas equilibram a tecnologia com a demanda por qualidade e inovação. A expansão para novos idiomas e formatos de consumo, aliada à adoção crescente da IA e da interatividade, será determinante para moldar o cenário da indústria nos próximos anos.


Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

 

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