A repórter Carla Bridi, da CNN Brasil, denunciou em seu Twitter um episódio de hostilização e ameaças contra a imprensa por parte de seguranças do presidente Jair Bolsonaro, no Palácio da Alvorada. Eles pediram para que os jornalistas presentes não fizessem matérias sobre a confusão, em troca de não anotar os nomes deles. Um dos seguranças teria inclusive tirado a arma do cinto.

Bridi escreveu no Twitter que, após o pronunciamento do presidente no último domingo (2/5), no Palácio da Alvorada, a equipe da CNN entrou no carro da emissora para seguir o comboio presidencial: “Ao entrarmos no carro, gritaria − segurança sem máscara começou a nos ameaçar, colocou a mão em cima da arma. Dois colegas de outros veículos foram ameaçados por outro segurança − esse de fato tirou a arma do cinto.
A imprensa não pôde ficar no carro para esperar o comboio sair, então os jornalistas retornaram para a sala de imprensa. Bridi contou que, ao sair do carro, um “segurança disse que iria anotar os nomes de todo mundo e perguntou o meu. Falei que não iria passar nome nenhum”. Em seguida, um dos apoiadores do presidente “usou os piores palavrões para se dirigir à imprensa”, descreveu Bridi.
Por fim, a repórter da CNN resumiu o episódio como “hostilização por parte de seguranças e apoiadores do presidente, em pleno domingo de plantão”. Em nota, a CNN Brasil declarou que “repudia intimidações a jornalistas e ameaças à liberdade de expressão, e defende a imprensa independente, garantida pela Constituição, como um alicerce do estado democrático de direito”.
Após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro à imprensa – que falou de tratativas com a Rússia sobre a liberação de um brasileiro preso no país, mas sem uma palavra sobre vacinas – começou a hostilização contra a imprensa. Segue o thread 👇🏼
— Carla Bridi (@acarlabridi) May 2, 2021
Sobre o ocorrido, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança do presidente da República, escreveu que os jornalistas presentes não cumpriram os protocolos para esse tipo de evento e que o relato de Bridi “distorce o fato ocorrido e carece de credibilidade”.
Um trecho da nota diz que “alguns repórteres, julgando, erradamente, que o presidente sairia do Alvorada, tentaram se deslocar para seus carros, com o objetivo de segui-lo, sendo impedidos pela segurança no estacionamento. Ato contínuo, houve ofensas aos agentes de serviço que, corretamente, executaram as normas vigentes até o retorno do comboio para o interior da Residência Oficial”.